
A hidreletricidade se constitui numa alternativa de obtenção de energia elétrica a partir do aproveitamento do potencial hidráulico de um determinado trecho de rio, normalmente assegurado através da construção de uma barragem e da consequente formação de um reservatório. É considerada uma fonte de energia renovável, limpa e permanente, que não produz gás de efeito estufa.
Atualmente é a fonte de energia que mais contribui para o suprimento de energia elétrica no Brasil. Cerca de 83% da energia elétrica gerada no Brasil provêm deste tipo de geração. No mundo, segundo levantamento da Agência Internacional de Energia realizado em 2006, a geração hidrelétrica representava 16% da eletricidade total gerada.
Esta situação invejável do Brasil se deve às próprias condições naturais do país de possuir um grande potencial hidráulico e também à genialidade do homem para obter melhor aproveitamento dos rios. Isso porque, para se desenvolver o potencial hidrelétrico são necessários rios com vazões permanentes, com pouca variação anual, quedas naturais e boa geologia. Em diversas regiões do Brasil estas condições estão presentes, diferenciando o País na capacidade de geração hidrelétrica.
O aproveitamento de rios e quedas d´água no Brasil teve início no final do século XIX, com a construção da Usina de Marmelos (1889), apenas oito anos após a Inglaterra. Em 1908, foi a vez dos engenheiros da Cia Força Luz Cataguazes-Leopoldina, atual Energisa Minas Gerais, inaugurarem sua primeira usina hidrelétrica: a Usina Maurício, localizada no rio Novo - município de Leopoldina (MG), com potência instalada de 800 KW e queda bruta de 20 metros. Até hoje a Usina Mauricio é mantida com seus equipamentos originais e estruturas, sendo considerada um verdadeiro museu vivo da história de geração de energia, mostrando o arrojo e espírito empreendedor dos fundadores da Energisa.
Atualmente, existem no Brasil inúmeras usinas hidrelétricas em funcionamento, de diversos portes. Algumas usinas são verdadeiras maravilhas do mundo tecnológico, como é o caso da gigantesca Usina de Itaipu, no rio Paraná: segunda maior em capacidade instalada no mundo com 14.000 MW e responsável por gerar anualmente 19,3% da energia do país. Outras são micro-usinas que aproveitam a queda generosa de um ribeirão, em alguma localidade remota do país, gerando não mais que o suficiente para abastecer uma pequena propriedade rural. Grandes ou pequenas, todas são muito importantes para assegurar que o País continue sendo líder mundial em geração de energia renovável, reduzindo a dependência de fontes fósseis que contribuem para o efeito-estufa.