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Energisa MS: um retrato de 2023 e o olhar para o futuro

Marcelo Vinhaes, diretor-presidente da Energisa MS, comenta os desafios enfrentados pela distribuidora no ano passado e as perspectivas para 2024

Publicada em: 15/02/2024

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Mato Grosso do Sul

Como você avalia o ano de 2023 para a Energisa Mato Grosso do Sul e para o estado?
Marcelo Vinhaes: O ano de 2023 foi extremamente desafiador. Tínhamos grandes expectativas de que 2022 marcaria o fim da pandemia, mas a retomada só chegou mesmo no ano passado, com uma grande demanda acumulada. Então eu acho que 2023 foi um ano bastante acelerado. Minhas conversas com empresários daqui do Mato Grosso do Sul confirmam essa percepção geral de que 2023 foi caracterizado por um notável crescimento e investimento no estado. Na distribuidora, enfrentamos um desafio adicional devido à ocorrência do El Niño em 2023. Esse fenômeno implica em condições climáticas mais severas, com tempestades de muito vento e muita descarga atmosférica. Estamos fazendo um estudo junto com uma consultoria especializada que está mostrando que o Mato Grosso do Sul tem um clima mais parecido com os estados do Sul do Brasil do que com os seus vizinhos do Centro-Oeste. Então a gente está num estado de clima sensível, e já sabíamos que 2023 seria um ano de grandes desafios por conta das previsões climáticas.

E como a Energisa se preparou para enfrentar esses desafios?
MV:
Investimos, nos 9 primeiros meses de 2023, cerca de R$ 467 milhões (Resultado do 4º trimestre de 2023 será divulgado no dia 12 de março), focando no crescimento do estado, de modo a poder atender novas cargas, novas indústrias, novos negócios que estão vindo para o Mato Grosso do Sul. Além disso, temos um plano plurianual de investimentos em melhorias da infraestrutura da zona rural do estado. Há alguns anos, estamos fazendo novas subestações, novos alimentadores, novas linhas para atender cada vez melhor os nossos clientes de fora dos grandes centros urbanos. Acreditamos que o equilíbrio entre investimentos e tarifas é crucial, por isso buscamos dosar os investimentos para melhorar a qualidade do fornecimento sem onerar demais a tarifa de energia elétrica.

Você falou que foi um ano marcado pelo El Niño. Como isso impactou a operação da empresa?
MV:
No nosso estado, o El Niño causa 2 fenômenos principais: tempestades intensas e aumento das ondas de calor. Por conta disso, a questão da arborização urbana acaba tendo um papel importante. Vivemos num estado de clima quente, que precisa de muitas árvores, mas ao mesmo tempo, muitas árvores foram plantadas inadequadas perto da rede elétrica. Eu sou defensor de cidades arborizadas e tenho por hobby cuidar de plantas, mas são espécies exóticas que têm raízes frágeis e acabam caindo por não suportar a ventania do estado, causando grande parte dos nossos problemas de falta de energia. Temos buscado soluções, como a substituição de espécies inadequadas, para garantir a qualidade do fornecimento sem comprometer a arborização urbana.
Além disso, as ondas de calor provocam um aumento do consumo de energia, e as pessoas percebem isso em suas contas, mas ficam com muitas dúvidas. Explicamos que, nos meses mais quentes, o consumo de equipamentos de refrigeração, como geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, pode realmente dobrar, triplicar ou mesmo quadruplicar. Além do uso mais frequente, esses aparelhos também consomem mais quando a temperatura externa está maior, pois o compressor fica acionado por mais tempo enquanto o equipamento está ligado.

E os problemas de sobrecarga de energia que tivemos em Ribas do Rio Pardo e em Campo Grande? Eles já foram sanados?
MV:
Sim. Em novembro, substituímos 440 transformadores em todo o estado para garantir a estabilidade da rede. Em resposta aos desafios climáticos e ao consumo elevado, fizemos operações em Ribas do Rio Pardo, Corumbau, Dourados, Campo Grande, substituindo praticamente todos os transformadores por outros de maior potência, para regularizar a situação em definitivo.
Quando projetamos as redes de distribuição, a nossa referência são os disjuntores instalados na entrada de cada residência, ao lado do medidor. Só que as pessoas têm o hábito de aumentar a carga das suas casas, trocar esse disjuntor de entrada e não informar a Energisa. Então quando temos uma onda de calor e todo mundo liga o ar-condicionado ao mesmo tempo, acontece uma sobrecarga na rede. Para ter uma ideia, nessa onda de calor do mês de novembro, o nosso sistema atingiu um nível de carga que só estava previsto para 2025. Por isso, quando o cliente trocar o medidor de entrada da sua casa, é importante que ele informe a Energisa, através de qualquer canal de atendimento.

E para fechar, quais são as perspectivas da Energisa para 2024?
MV:
Para 2024, esperamos que o estado continue crescendo, gerando empregos e desenvolvimento. Estamos preparados para atender às demandas das novas indústrias e empresas que escolherem Mato Grosso do Sul como seu lar. Expressamos a esperança de que o El Niño seja menos impactante em 2024, permitindo uma operação mais suave e eficiente.

Nota: Este texto foi construído a partir da edição da entrevista concedida à Radio CBN em 01/01/2024.
 

Investimento, Consumo, Área Rural

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