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Projeto Quelônios do Guaporé ajuda a devolver 5 milhões de tartarugas ao seu habitat natural

Há mais de 20 anos, a soltura de filhotes vem preservando tracajás e tartarugas-da-Amazônia em Rondônia

Publicada em: 30/01/2024

 Categoria:

 Sustentabilidade

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Rondônia

Na fronteira amazônica do Brasil com a Bolívia, as praias de rio se estendem por quilômetros de florestas sem fim. É nesse cenário de natureza exuberante que 5 milhões de filhotes de tartaruga tomam as areias em busca das águas doces do imenso rio Guaporé. Essa cena épica se repete todos os anos no município de São Francisco do Guaporé, em Rondônia, situado a aproximadamente 600 quilômetros da capital Porto Velho. Graças à união da sabedoria dos povos da floresta e à força e patrocínio da Energisa, o projeto Quelônios da Amazônia do Vale do São Francisco do Guaporé completa três anos consecutivos apoiando a preservação dos filhotes de tartarugas.

O rio Guaporé é um berçário natural para várias espécies de quelônios, que é o nome que se dá ao conjunto de répteis da família das tartarugas. No entanto, essa fonte não é inesgotável e algumas dessas espécies já estavam à beira da extinção. Assim, há mais de 20 anos, as comunidades da região organizam a soltura de filhotes de tracajás e tartarugas-da-Amazônia, num evento assistido por poucas pessoas, já no cantinho do país, mas que vira uma celebração da vida que pulsa nas águas amazônicas.

Tartarugas nadando em um aquário

A sabedoria da floresta é profunda e apareceu organizada através da Associação Comunitária Quilombola Ecológica do Vale do Guaporé, a Ecovale. Entendendo a importância dos tabuleiros da região, que são as áreas de desova das tartarugas, as populações quilombolas, indígenas e ribeirinhas passaram a agir para ampliar as chances de sobrevivência desses animais.

Esse projeto visa a conservação dos quelônios da Amazônia com a ajuda e participação de toda a população. Um trabalho que conta com muitos voluntários, como o seu Zeca, que é um dos maiores conhecedores das tartarugas-da-Amazônia. A parceria com a Energisa também é muito importante. Hoje contamos com painéis de energia solar o que diminui muito a poluição uma vez que antes usávamos geradores a diesel – contou Deyvid Muller, um dos biólogos voluntários do projeto.

Hoje, pelo menos 6 áreas de desova e cerca de 120 mil ninhos estão protegidos pelo projeto. Após a eclosão, geralmente no mês de novembro, as equipes recolhem os filhotes dos ninhos, levando os quelônios para cercados para que peguem sol e percam o cheiro de pitiú, um odor característico que atrai predadores naturais. Alimentados e crescidos, os répteis são  então devolvidos à natureza em atos solenes, com a ajuda de toda a comunidade, que espalham tartarugas e tracajás por sete praias da região, sendo cinco delas na margem brasileira e duas na margem boliviana. Com todo esse movimento de fortalecimento, as chances de sobrevivência dos bichinhos crescem entre 3% e 5% – o que pode parecer pouco, mas são números consideráveis entre 5 milhões de filhotes.

A quantidade total de animais recolocados em seu habitat natural desde o início do projeto é incontável. Todo esse esforço é fundamental para proteger os quelônios do Guaporé. A tartaruga-da-Amazônia, por exemplo, é a maior espécie de quelônio de água doce da América do Sul, podendo chegar a 1 metro de comprimento e pesar até 75 quilos. A edição deste ano, no maior berçário dessa espécie, tornou-se um marco, contando com o apoio logístico da Energisa para o monitoramento aquático dos tabuleiros de desova e a produção de placas de monitoramento:

É um marco para o meio ambiente, pois esse projeto, além de preservar a fauna, acaba por conscientizar os apoiadores, a comunidade local e em especial as crianças que estão presentes nessa ação. Para a Energisa, o sentimento é de satisfação pela oportunidade de participar e incentivar mais uma vez esse projeto – ressalta o supervisor da Energisa, José Carratte

José Soares, o “Seu Zeca”, presidente da Ecovale, explica que o projeto de preservação envolve uma rede de parceiros para garantir a sobrevivência e a reprodução saudável do tracajá e da tartaruga-da-Amazônia no vale do Rio Guaporé:

As parcerias são um incentivo para que possamos seguir firmes nessa missão de preservar os quelônios da Amazônia. Agradecemos todas as instituições parceiras, à Secretaria de Desenvolvimento Ambiental, ao Ibama e à Energisa, que têm nos apoiados de maneira significativa desde 2021.

Segundo ele, a fiscalização rigorosa, que abrange desde o momento da desova até a soltura, desempenha um papel fundamental na prevenção de crimes ambientais e na proteção da região contra ações predatórias, especialmente na fronteira entre Brasil e Bolívia. Ele comemora os resultados já conquistados ao longo de 2 décadas de ação ambiental:

Esse projeto foi criado para salvar as tartarugas-da-Amazônia que estavam na lista de extremamente ameaçadas de extinção e hoje nós já conseguimos tirá-las dessa lista – conclui o coordenador do projeto.

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